Enfermeira obstetra da Fundação é premiada por seu projeto de Humanização no Parto.

A enfermeira da Fundação Hospitalar São Vicente de Paulo, Júnia Marise de Miranda enfermeira obstetra com formação em aleitamento materno e laserterapia pós parto, foi classificada para a participação do Prêmio Boas Práticas de Enfermagem na categoria Assistência, durante o 2º Congresso do Coren-MG e 3º Congresso Mineiro de Enfermagem realizado nos últimos dias 30 e 01 de dezembro na cidade de Belo Horizonte.
A classificação se deve ao programa “O AMOR ALÉM DA DOR”, do qual Júnia coordena, que tem por objetivo incentivar e apoiar o parto humanizado das gestantes tornando uma experiencia mais segura e acolhedora.
O Parto Humanizado visa dar a mulher o protagonismo, Isso não significa, porém, ser contra a realização de cesarianas. Mas as assistencialistas como são conhecidas as profissionais que acompanham este processo do parto, reivindicam que a mulher tenha empoderamento do seu parto; e que se limitem estas intervenções aos casos em que há risco real para mãe ou para o bebê – e não sejam adotadas de forma indiscriminada, como se faz no país.
O Brasil é hoje o campeão de cesáreas no mundo. A taxa chega a 90% no setor privado e quase 55% no setor público. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é um índice de até 15%.
O programa acontece através de palestras com gestantes e rede de apoio com temas que abordam a saúde da mulher na gestação, parto e puerpério, com utilização de material didático e áudio visual e visitação à maternidade.

PRÉ NATAL COLETIVO
Encontros mensais nos ESF’s do município com a equipe multidisciplinar primeiramente e após promovendo a escuta ativa da gestante e de seus acompanhantes, considerando aspectos intelectuais, emocionais, sociais e culturais, e não somente um cuidado biológico “rodas de gestantes”.
Através de dinâmicas em grupo com demonstração de parto vaginal (posições, fisiologia), cesárea, métodos naturais de alívio da dor e preparação para o pós-parto.
OBJETIVO
Orientar a oferta de uma assistência pautada na humanização e nas boas práticas de atenção ao parto e nascimento, recomendadas pela Organização Mundial de Saúde e Ministério da Saúde, estimular o parto normal, e empoderar a mulher gestante a ter autonomia durante parto.
OBJETIVO ESPECÍFICO
Orientar a gestante para o parto vaginal, preparando a mulher para lidar com a dor na gestação, parto e puerpério;
Reduzir as altas taxas de cesarianas e também melhorar a experiência da maternidade para mães e bebes;
Orientar os profissionais de saúde quanto a realização de um atendimento pautado na humanização e boas práticas de atenção ao parto e nascimento;
Favorecer a diminuição do período de internação;
Favorecer o vinculo do binômio mãe/filho;

Júnia explica os motivos da criação do projeto.
“Esse projeto surgiu da experiência vivida durante quase 8 anos na maternidade da FHSVP de Capelinha-MG, o que me fez procurar capacitação para oferecer uma assistência de qualidade, me especializando em obstetrícia, consultoria em aleitamento materno com uso do laser na amamentação e pós-parto, procurando sempre atualização.
Acredito que a gestante, se bem informada e acompanhada por especialista é capaz de fazer escolhas conscientes, Cesáreas são importantes, mas quando há necessidade clinica.
O nome do projeto se deu por acreditar que a vida é um sopro do Amor de Deus que lançado no ventre de uma mulher toma forma, movimento e aos poucos vai crescendo, De repente uma explosão de sentimentos vai se manifestando, dúvidas, medos e nostalgia se misturam com anseios, alegria, cuidado que só o AMOR explica
Sem perceber, a entrega já é total! Não somos mais duas vidas distintas, mas uma intrínseca na outra. O mundo se torna pequeno diante da grandeza de um amor tão inexplicável, que não se mede, não se pede, nem tão pouco se nega.
Aí vale lembrar que o amor vai além da dor e que o PARTO de uma mulher é a certeza que a OBRA DIVINA vai além do que a ciência explica.
Quando um grande amor está em questão, não há dor que ofusque a beleza e a ternura do primeiro encontro.”
O que é o parto humanizado?
O parto humanizado consiste na assistência da mulher em todas as etapas. É um conjunto de procedimentos, que vão desde situações de abortamento ao puerpério, compartilhando, ouvindo e respeitando a mãe. Tudo isso tem o objetivo de proporcionar uma experiência mais segura e acolhedora.
Como dito anteriormente, o parto não precisa acontecer na banheira ou em casa. Seja por cesárea, seja por meio do parto tradicional, o termo “humanizado” refere-se à forma como o procedimento é feito. Em vez de tratar o parto como uma metodologia fechada, as vontades e características da gestante são consideradas — o que faz com que o processo seja personalizado.
No parto humanizado, a mulher é a protagonista. Ela tem a chance de escolher e guiar o momento — cabendo à equipe médica atuar somente quando (e se) ocorrer algum problema.
Como funciona o parto humanizado?
O procedimento se sustenta em três pilares principais:
● dar o protagonismo do parto à mulher;
● considerar os aspectos sociais, biológicos, culturais e emocionais;
● ter as evidências científicas como base.
Todo o processo pode começar ainda nos exames pré-natais, seguindo até o pós-parto. No parto humanizado, a mãe tem controle de situações como a posição que deseja ter seu filho, onde acontecerá o parto, se vai fazer uso de métodos naturais de alivio da dor ou não, a luz do local, entre outros fatores. Não há pressão para acelerar o nascimento do bebê e/ou outros quadros que propiciam a ocorrência de violência obstétrica.
A espera será paciente, sempre buscando formas de reduzir a dor irracional do parto vaginal. Para que tudo aconteça da melhor forma, é ideal escolher uma equipe de profissionais que esteja de acordo com os valores da grávida. Esse é um momento que precisa do apoio e da colaboração de todos, para que aconteça da melhor forma.
Quais são os benefícios do parto humanizado?
A violência obstétrica é um problema de saúde pública no Brasil. Já existem estudos que mostram como os desrespeitos e abusos no nascimento podem fazer mal à saúde da mãe e do bebê. O parto humanizado age da forma oposta: coloca o bem-estar dos dois como prioridade, por isso, oferece uma experiência livre de traumas.
A seguir, separamos alguns benefícios de tal escolha.
Redução do trauma para o bebê
No modelo tradicional, o bebê passa por um momento estressante logo nos segundos iniciais de vida. Em alguns casos, ele nasce antes da hora, com todo o processo sendo forçado. Quando chega ao mundo, o bebê encontra uma sala gelada, é afastado da mãe logo nos momentos iniciais e ainda escuta ruídos altos. O choro, a dor e o desconforto são, muitas vezes, o resultado de tudo isso.
No parto humanizado, todo o ambiente é controlado e pensado de modo a oferecer aconchego e carinho.
Criação de um laço afetivo mais forte
Durante o parto, diversos hormônios são liberados no corpo da mulher. Essas substâncias são essenciais para a relação entre mãe e filho. O contato pele a pele após o nascimento é um importante aliado. O aleitamento logo após os minutos iniciais de vida do bebê é outro ponto importante — não só por causa dessa relação de laço afetivo mais forte, mas pelo bem-estar físico e psicológico da mãe e do bebê.
Quando fatores internos e externos são controlados, é mais fácil ter todos esses momentos de qualidade.
Redução da ansiedade e do estresse
Quando a mãe está no controle, ela sabe o que esperar. Todo o parto foi planejado e há confiança na equipe envolvida. Como resultado, a ansiedade e o estresse são reduzidos, tornando o momento ainda mais mágico. Além disso, caso seja do interesse da gestante, um acompanhante pode estar presente — que pode ser o pai da criança, a outra mãe, a avó ou quem a grávida quiser.
Por mais incrível que seja gerar uma vida, ter alguém que amamos ao nosso lado antes e depois do parto torna todo o processo ainda melhor. Como consequência, costuma ser menos necessário o uso de medicamentos e outras drogas para estimular o nascimento do bebê.
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